quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

. reciprocidade e disposição .

Definitivamente somos seres injustos. Não apenas com nós mesmos, por nos cobrar demais, mas com a vida, por cobrar dela mais do que nos é permitido.
Acredito ser normal desejar mais aqui e acolá. Somos completamente incompletos.Reclamamos da calça que aperta, do dinheiro que falta, do telefone que não toca, da mensagem que não chega.
Reclamamos da saudade, da dúvida que não cala e do silêncio que paradoxalmente grita.
Não é difícil enxergar os dias sem críticas ou reclamações e, como sempre, as coisas boas ficam guardadas numa gaveta.
Se falarmos de amores antigos, apenas falamos das mentiras e decepções, se falarmos da morte lembramos da saudade, até ao falarmos de um hambúrguer a única coisa que vem a mente são as benditas calorias. Quando, na verdade, deveríamos falar dos beijos, do amor compartilhado, das longas conversas recheadas de incentivo, do companheirismo peculiar aos que amam, daquele “boa noite” da pessoa que se foi, sequer lembramos dos sabores, do gosto bom do sorvete ou daquele cheirinho naturalmente gorduroso do bacon.
Permitimos que o bom caia no esquecimento e, pior, o transformamos no inexistente. Sempre julgamos que nossas dores são as maiores, que derramamos mais lágrimas. Ainda que natural e dramaticamente “sofredores” chega um momento que achamos que seremos sempre um presente pra alguém, que a pessoa se apaixonar por nós será uma verdadeira felizarda.
Quanta pretensão!
Esquecemos apenas de uma coisa: RECIPROCIDADE. Essa sim justifica o amor dividido, ou melhor, o amor que se quer dividir. Amar é um verbo que carrega doses de disposição e liberdade. Impossível amar sem estar disponível ou livre para permitir-se ser amado.
Sempre achamos que o outro não está disponível, que sempre somos nós os preteridos ao invés de escolher. São essas nossas indagações.Esquecemos, no entanto, que também nos fechamos para o mundo, que mandamos embora ou simplesmente não deixamos chegar aquela pessoa bacana e realmente disposta a trazer alegria e instantes felizes aos nossos dias.
Não quero ficar dando doses de incentivo a ninguém.De certa forma, todos conhecem a verdade da vida. A dificuldade é viver a verdade da vida!
Geralmente, a pessoa certa não chega na hora marcada. Dividimos, assim, instantes preciosos com a pessoa errada e a amamos e com ela fazemos planos. Frustração e sofrimento inevitáveis. Às vezes, recuperar o que se deixou de ter com a pessoa certa não é possível e nada dói mais do que conviver com a idéia do que não foi vivido, com o “SE” condicionante de tudo, com a certeza de que a felicidade bateu em nossa porta e mandamos dizer q não tinha ninguém em casa.
-Volte depois!
Eis o inexorável medo de ser feliz. É justamente aí que começa a espera, a ansiosa e angustiante espera, que a campainha toque novamente.Nem sempre toca.
Mergulhamos nos versos de Neruda, Floberla Espanca e Drummond ou na poesia intimista de Rilke. Dessa forma, vivemos um pouco do amor, não o nosso, mas aquele que procuramos.
É bem verdade que a solidão carrega tranqüilidade, mas internamente a solidão é um turbilhão, é o silêncio de um sentimento que necessita pulsar. Decepção dói. Mentira dói. Não amar dói mais ainda. Descrever o amor quando se ama é regozijo, mas descrevê-lo quando se espera, ainda que sem acreditar, é falta.


Um comentário:

Julha disse...

Liindo ameei, você falar qd coisa liinda!